quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Coisas de Gaja
23.2.17
As gajas são complicadas. Tem neuras. Falam demais. Tem a mania que são engraçadinhas. Pensam demais. Comem coisas estranhas misturadas. Gostam de cafés curtos com chantilly. Gostam de ir a sítios onde já não é preciso perguntar o que querem. As gajas sabem o que querem, mesmo quando não parece. Tem dias. Riem de coisas parvas. Riem de coisas sérias. Sonham alto. Tem sonhos impróprios para idade. Escrevem livros. Pensam que escrevem livros, na realidade escrevem uma espécie de... Fazem tudo demais. Depois um dia sentam-se e fazem um vestido. Somos assim as gajas. Temos dias o tecido que que está ali à espera à uma data de tempo, combina na perfeição com as collants e as sapatilhas que alguém escolheu para elas, ainda sem saber que ficavam a matar.
Que tal o meu vestido?
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Bipolaridade ou a falta de inspiração?
22.2.17
Antes de ter assumido que era artista, e reparem que não sei se sou ou não, mas, na verdade tenho de me dar um nome qualquer, achava sempre que os artistas eram uns tipos estranhos. Tinham neuras, davam-se ao luxo de dizer coisas como "estou em processo criativo, não me chateies", e outras coisas mais que eu achava serem totalmente absurdas.
Na realidade, eu nunca tinha sido "obrigada" a criar coisas novas todos os dias. E se as ideias surgem fácilmente, isso não significa que as ideias certas cheguem na hora certa.
Agora por exemplo, tenho um livro para escrever. Talvez se nunca tivesse escrito nenhum, as ideias me fossem caíndo ou subindo (não sei para que lado são direccionadas as ideias. Talvez se eu nunca tivesse escrito um, não tivesse sobre a cabeça esta dura responsabilidade de chegar pelo menos onde chegou o outro. 3º lugar do top fnac. Não será fácil.
Na semana passada, alguém me enviou um email a elogiar o meu trabalho, e acabei por trocar meia dúzia de ideias sobre esta coisa de ter neuras quando se cria, da falta de ideias, de não ser fácil. Deve ser o mesmo tipo de responsabilidade de um ator que consegue apenas um bom papel na vida e depois cai no esquecimento, ou de um músico que tem de igualar aquele HIT.
No meu caso confesso que me inspiro numa fonte, e a fonte da inspiração não está cá para vir opinar, dizer olha que este projeto está bom, e ás vezes preciso de uma espécie de brainstorming, porque afinal, a opinião dos outros conta. Pode não contar a para uma vida privada, se gostam de mim ou não, se sou bonita ou feia, se escrevo bons posts no facebook ou tiro fotos giras, mas, se vais viver disso, não podemos dizer, Ah, estou a lixar-me para a opinião dos outros.
Tal como disse este meu colega, com quem falei, a ideia é agradar ao outro, para nos preenchermos.
Não sei porque estou a escrever isto, é certamente mais para mim do que para vós, uma espécie de egoísmo e incerteza, que calha a todos acho, espero.
Amanhã a inspiração bate-me ou vou ter de escrever sem ela, mas, no hotel Madrid, nem todos os dias são de Artista.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Paragens
20.2.17
Às vezes sinto que estou a lutar contra a criatividade e contra o tempo, que parece ser, neste momento, a vários níveis, o meu pior inimigo.
Conhecendo-me, sei que no final vou ficar feliz. As colaborações acho merecem, vocês acho merecem e eu, mereço que no final isto seja um bom trabalho.
Fazer muitas coisas ao mesmo tempo é algo que o tempo, parece não gostar.
sábado, 28 de janeiro de 2017
One day, when i am gone.
28.1.17
Na minha casa, é como na casa do ferreiro. Não tenho as cortinas a combinar com as almofadas, a manta do sofá não fui eu quem fez, e está rasgada em dois sítios. Se andar a pescar uma ou outra peça feita por mim, não darão muitas. Sei que algumas ficam decepcionadas com o chepeto de pau. !(Não sei escrever chepeto?); não sei explicar porque é assim, tantas peças que já fiz ao longo da vida, mesmo as que foram feitas antes de eu viver de fazer coisinhas com as mãos. Mas é.
Agora, que faço peças de outras peças, coisas que pertenciam a pessoas, caregadas de memórias, que as transformo, que lhes dou uma outra carga emocional, dou por mim a pensar. se acreditasse na vida após a morte, será que essas criaturas gostariam do que eu fiz? As calças de um avô numa almofada.
Tenho algumas coisas que a minha avó materna fez, rendas de bilros. Guardo-as com amor especial. São o tempo dela, do tempo dela, o tempo que ela já não tem.
No outro dia brincava com o facto de algumas pessoas terem muitas peças minhas, que na minha ausência, podiam fazer uma exposição, um mini museu, já fiz mesmo muitas peças. E claro, a maior parte delas está espalhada, e não tem o valor das peças da avó, porque foram feitas para vender.
Mas, das coisas que faço e dou, das que reservo o direito de deixar um retalho de tempo, acho, não, tenho a certeza, que um dia, quando eu for desta para melhor, seja lá onde isso for, seja lá que idade eu tiver, que a única coisa que quero é que quem ficar possa olhar e sentir o mesmo que sinto quando pego em algo que alguem que já partiu fez. Não sei o que lhe chame.
ajudem-me, talvez lhe chame "memória".
domingo, 8 de janeiro de 2017
Tal como pele.
8.1.17
.
Há muitos anos atrás, estudei sobre pele. Oxitocina e pele. Que a pele tem memória. Que essa memória nasce no ventre, e morre apenas quando morremos. É uma ideia da qual gosto.
Mas este post não é sobre pele. É sobre tecidos. Sobre Batik, que é certamente o meu tipo de tecido preferido. Não pela qualidade, mas pelas memórias que associo a ele.
O primeiro batik que ganhei foi da mesma época em que eu estudava sobre pele. Tinha vindo de África, estava carregado de memórias felizes de bebés que eram carregados ao colo e foi a minha querida Sofia Valente quem me deu. Um dia comprei o cor de rosa, da fotografia. Apenas um tecido com rebordo, era "africano" mas tinha vindo da Holanda, de onde vem muitos, muitos tecidos africanos (ah, pois é, e lá que são feitos); esse pano passou a estar impregnado de memorias, de tardes deitada ao sol numa praia qualquer, ou de usá-lo no parque, para me sentar, a tricotar, aqui e ali. No porta bagagens do carro, dentro do meu saco, num pique-nique. Ele carrega as minhas memórias, muitas.
A Virginia deu-me tambem alguns batiks, um dos quais está na foto superior direita, que morou no meu sotão, na minha sala, e um dia fiz-lhe um rebordo e ofereci ao Romeu.
e os outros dois foram oferecidos neste natal, pela Rita Inglez, uma quase desconhecida, que os teve 20 anos e depois achou que eu era merecedora de fazer algo com eles. Um entreguei, e o outro, do canto inferior direito, há de ser ou uma saia ou algo que me lembre mesmo antes de fazer a saia, ainda estou indecisa.
A magia do batik para mim, é que não precisa de nada para durar, para ficar bonito, para ser especial. Só precisa de tempo, para carregar memorias e ser algo especial, que olhamos e nos faz lembrar momentos e gente.
Tal como a nossa pele.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Não sei explicar.
4.1.17
Não sei explicar porque gosto tanto de fazer meias. Também não sei explicar o bom que sabe, quando se entregam um par de meias a quem aprecia, nem o quanto me aquece essa ideia de saber que alguém estima o que fazes.
Sei o que é calçar umas meias que alguém te fez, de proposito para ti, porque já tive essa sorte. É um aconchego bom, quase um colo mas os colos são junto ao coração e este é na outra extemidade.
E claro que também sei, que um par de meias se compra por meia duzia de tostões. Mas como li há bocado, "caraças", não tem nada a ver.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Faz o que digo, não faças o que faço...
3.1.17
Existem mil e um conselhos que se dão, que eu dou, para as pessoas que se iniciam na arte de tricot. especialmente nas meias, há um muito importante, porque o novelo para meia normalmente tem 100 gramas, e cada meia usa aproximadamente 50, era mesmo bom dividir o novelo para que depois não aconteça o que ultimamente me acontece, que a lã não chega para a segunda.
Fazer meias continua a ser para mim algo muito especial. Já as faço por instinto e por muito que se saiba, continua sempre a ser por tentativa, erro. Ou seja, mesmo que use umas agulhas 2,5mm cada lã reage de modo diferente, não é uma ciencia exacta. Para a mesma pessoa, e estas meias são de homem, já fiz umas meias com 64 malhas de inicio, 16 para cada agulha, e estas tem apenas 56 malhas, só para terem uma ideia de como todas aquelas perguntas que me fazem e ás quais tento responder, não valem para qualquer lã, nem para qualquer mão, ou tensão.
Assim, posso dizer que estas meias estão temporariamente encalhadas.
Por isso, não faças o que eu faço, faz antes o que digo. Que eu saber, sei, fazer o que devo é que sei lá, talvez devesse ser uma determinação de novo ano.
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